TikTok vai construir data center no Ceará com investimento de R$ 50 bilhões
É projetado um gasto de energia proporcional a uma cidade de 2,2 milhões de habitantes.
O governo brasileiro confirmou que a ByteDance, empresa chinesa dona do TikTok, vai construir um data center no Complexo do Porto do Pecém, no Ceará. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que as obras devem começar em seis meses. O investimento estimado chega a R$ 50 bilhões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu em setembro com o CEO do TikTok, Shou Zi Chew, em Nova York. O encontro durou cerca de 30 minutos e foi solicitado pela própria rede social. Na ocasião, o executivo demonstrou interesse em investir no Brasil e citou projetos no Ceará, como a construção de data centers.
A Casa dos Ventos, empresa de energia renovável, assina oficialmente o projeto e será responsável pela construção da infraestrutura. Em maio, a companhia obteve as autorizações necessárias para avançar com um complexo de 300 megawatts no porto cearense. A previsão é que as obras comecem no segundo semestre deste ano, com operação iniciando no segundo semestre de 2027.
O data center vai operar 24 horas por dia, sete dias por semana. O consumo diário previsto alcança 5.040 megawatts-hora, potência equivalente ao gasto residencial de 2,2 milhões de brasileiros. Quando atingir a capacidade máxima de 300 megawatts, esse número sobe para 3,2 milhões de pessoas.
A comparação com estados brasileiros impressiona. O consumo anual estimado é de 1,84 terawatts-hora, volume superior ao gasto total de Acre, Amapá e Roraima somados. Sozinho, o complexo consumiria o equivalente a 22,5% de todo o consumo residencial da Bahia ou quase três vezes o consumo residencial do Acre.
Se o data center fosse uma cidade, ocuparia a sétima posição entre as maiores do país em consumo energético. Na região Nordeste, onde a média de consumo residencial é menor, corresponderia a uma metrópole de 2,9 milhões de habitantes.
A Casa dos Ventos garantiu que a energia virá de novos parques eólicos e solares instalados no Ceará e em outros estados nordestinos, dedicados exclusivamente ao projeto. A empresa afirma que os empreendimentos estão em fase avançada de desenvolvimento, com licenças ambientais e conexão à rede básica.
O Nordeste vive uma situação peculiar: sobra geração de energia renovável, mas falta infraestrutura de transmissão para levar esse excedente a outras regiões. Portanto, os data centers são vistos como clientes estratégicos na captação de energia próxima ao local de geração.
O Operador Nacional do Sistema chegou a apontar riscos de sobrecarga na rede elétrica. A autorização final só saiu após a Casa dos Ventos se comprometer a construir linhas de transmissão e outras obras estruturantes.
Em julho, o governo federal editou medida provisória para atrair data centers ao Nordeste. O texto oferece isenções fiscais e exige uso exclusivo de energia renovável em Zonas de Processamento de Exportação. Segundo o Ministério de Minas e Energia, há quatro projetos em fase inicial na Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará.
O relatório ambiental apresentado ao governo do Ceará mostra que o complexo usará ar-condicionado para resfriamento. O sistema inclui chillers, tanques de regulação térmica e tubulações para distribuir água e eletricidade. Esse método reduz o consumo de água para apenas 30 metros cúbicos diários, mas dispara o gasto elétrico.
A outra razão está na própria atividade: processamento, armazenamento e gerenciamento de dados em alto padrão de eficiência. Os supercomputadores que executam essas funções exigem energia contínua e em grande volume.
O ministro Alexandre Silveira destacou o potencial brasileiro para atrair investimentos em data centers. Ele citou a disponibilidade de energia renovável e as isenções fiscais criadas para impulsionar o setor. O TikTok não comentou o projeto até o momento.