Trump acusa Petro de liderar tráfico de drogas

Escrito por Vitor Gomes Calado

Após Venezuela, tensões entre EUA e Colômbia escalam.

Presidente dos EUA Donald Trump e presidente da Colômbia Gustavo Petro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou neste domingo o presidente colombiano Gustavo Petro de ser um "líder do tráfico de drogas" e anunciou o fim de todos os pagamentos e subsídios ao país sul-americano. A declaração marca uma nova escalada na relação entre as duas nações, antes consideradas aliadas próximas na América Latina.

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que Petro "encoraja a produção massiva de drogas" na Colômbia e "não faz nada para detê-la", apesar dos "pagamentos em larga escala" vindos dos Estados Unidos. O presidente norte-americano classificou Petro como um líder "pouco popular" e o alertou para fechar imediatamente as áreas de produção de entorpecentes, ou os EUA farão isso "e não será feito de forma amigável".

Horas depois, o secretário de Defesa Pete Hegseth confirmou em publicação no X que forças militares dos EUA atacaram na sexta-feira uma embarcação associada ao grupo rebelde Exército de Libertação Nacional, em águas internacionais do Caribe. Segundo Hegseth, três pessoas morreram no ataque à embarcação que, alegadamente, transportava drogas. O Pentágono não ofereceu evidências que sustentassem a alegação.

A resposta colombiana veio rápida. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia condenou as declarações de Trump como ofensivas e uma ameaça direta à soberania do país. Em nota, o órgão classificou as acusações como "um ato extremamente grave que compromete a dignidade do presidente dos colombianos".

Petro, por sua vez, rebateu Trump nas redes sociais: "Senhor Trump, a Colômbia nunca foi rude com os Estados Unidos, mas você é rude e ignorante com a Colômbia". O presidente colombiano, que se define como socialista, negou qualquer ligação com o narcotráfico e afirmou não ter "ganância no coração".

A crise atual se soma a acusações feitas por Petro no início de domingo, quando ele afirmou que autoridades dos EUA cometeram "assassinato" em águas territoriais colombianas. O presidente colombiano identificou Alejandro Carranza, pescador morto em 15 de setembro, como vítima de um ataque norte-americano. Segundo Petro, Carranza não tinha vínculos com o tráfico de drogas e sua embarcação estava à deriva com sinal de emergência devido a falha no motor.

Os ataques no Caribe são fonte crescente de tensão. Desde o início de setembro, pelo menos 29 pessoas morreram em seis ataques realizados pelos EUA contra embarcações suspeitas de transportar drogas. O governo Trump defende as operações como necessárias para deter o fluxo de entorpecentes, mas não forneceu detalhes sobre as identidades das vítimas. Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas descreveram os ataques como "execuções extrajudiciais".

A Colômbia recebe a maior quantia de ajuda norte-americana entre os países latino-americanos. Os Estados Unidos forneceram cerca de 210 milhões de dólares em assistência neste ano fiscal, incluindo apoio agrícola. Não está claro se toda essa ajuda será cortada ou quando o corte entrará em vigor.

As relações entre Bogotá e Washington se deterioraram desde o retorno de Trump ao cargo em janeiro. No mês passado, os EUA revogaram o visto de Petro após ele participar de um protesto pró-Palestina em Nova York e convocar soldados norte-americanos a desobedecer ordens de Trump.