Trump nega planos de ataques militares à Venezuela
Quando interrogado acerca do assunto, Trump respondeu: "não".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta sexta-feira que planeja realizar ataques militares em território venezuelano. A bordo do Air Force One, Trump respondeu com um simples "não" quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de operações dentro da Venezuela.
A declaração do presidente contraria reportagens recentes do Wall Street Journal e do Miami Herald, que citavam fontes anônimas da administração sobre supostos planos de ataques a instalações militares e centros de produção de drogas no país sul-americano. Segundo essas publicações, os ataques poderiam ocorrer nas próximas semanas, após o fim da temporada de furacões. O secretário de Estado Marco Rubio chegou a negar publicamente a reportagem do Miami Herald que dizia que EUA estavam planejando ataques.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, desqualificou as informações. "Fontes anônimas não sabem do que estão falando", afirmou. Ela reforçou que qualquer anúncio oficial sobre a Venezuela sairia diretamente de Trump.
Apesar da negativa, os Estados Unidos aumentaram sua presença militar no Caribe nos últimos meses. O país enviou caças F-35 para Porto Rico em setembro e programou a chegada do grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald Ford para a região. Desde setembro, as forças americanas realizaram pelo menos 14 ataques contra embarcações suspeitas de contrabando de drogas no Caribe e no Pacífico, que resultaram em dezenas de mortes.
Na semana passada, Trump sugeriu que as operações poderiam se expandir. "A terra será a próxima", disse aos repórteres, referindo-se às ações contra embarcações no mar.
O governo americano descreve a campanha como uma operação antidrogas contra o que o secretário de Estado Marco Rubio chamou de "narcoestado". Em agosto, a administração Trump dobrou a recompensa por informações que levem à prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro para 50 milhões de dólares. Washington acusa Maduro de ligações com o tráfico de drogas e grupos criminosos, acusações que ele nega.
A Agência Federal de Aviação impôs restrições de voo "por motivos de segurança" em uma área próxima a Porto Rico, válidas até março de 2026. Dois bombardeiros B-1B americanos voaram a cerca de 50 quilômetros de Caracas.
Maduro reagiu às pressões americanas com pedidos de ajuda a aliados internacionais. Segundo o Washington Post, o líder venezuelano enviou cartas à Rússia, China e Irã solicitando apoio militar. A Moscou, pediu atualização de radares defensivos e reparos em aeronaves. À China, propôs cooperação militar para enfrentar a "escalada" com Washington. Ao Irã, o ministro dos Transportes venezuelano solicitou equipamentos de detecção, bloqueadores de GPS e drones com alcance de mil quilômetros.
Maduro acusa Trump de tentar derrubá-lo do poder e promete que o povo e as forças armadas venezuelanas resistirão a qualquer tentativa estrangeira de removê-lo. A situação expõe as divisões na oposição venezuelana sobre apoiar ou não uma eventual ação americana.
O presidente Trump confirmou que autorizou operações secretas da CIA na Venezuela, citando como motivos a migração irregular de venezuelanos e o tráfico de drogas. "Eles esvaziaram suas prisões para os Estados Unidos", disse Trump no Salão Oval, referindo-se a alegações de que o governo venezuelano liberou prisioneiros que depois cruzaram a fronteira americana.