Trump recebe príncipe saudita e nega ligação com morte de jornalista
Presidente americano negou conclusões da CIA sobre morte de Jamal Kashoggi por autoridades sauditas.
O presidente Donald Trump contestou nesta terça-feira (18) as conclusões da CIA sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. Durante encontro no Salão Oval com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, Trump afirmou que o líder saudita "não sabia de nada" sobre a morte do colunista do Washington Post em 2018.
A declaração contraria diretamente o relatório da agência de inteligência americana, que apontou Mohammed bin Salman como provável mandante da operação que matou Khashoggi no consulado saudita em Istambul.
"Muita gente não gostava do cavalheiro do qual você está falando", disse Trump a jornalistas. "As coisas acontecem, mas ele não sabia de nada sobre isso, e podemos deixar por aqui".
A visita marca o retorno do príncipe saudita à Casa Branca depois de sete anos. Trump organizou uma cerimônia elaborada no gramado sul, com banda militar, dezenas de oficiais uniformizados e sobrevoo de caças. O contraste foi evidente em relação ao tratamento frio que o príncipe recebeu em Washington após o assassinato.
Em 2022, o então presidente Joe Biden limitou-se a cumprimentar Mohammed bin Salman com um toque de punhos durante visita à Arábia Saudita, em meio a tensões diplomáticas.
Trump elogiou o príncipe como líder transformador e disse que ele fez "um trabalho incrível em direitos humanos e tudo mais". A Arábia Saudita enfrenta críticas constantes de organizações internacionais por violações de direitos humanos.
O príncipe Mohammed negou participação no crime, mas classificou a morte de Khashoggi como "dolorosa para nós na Arábia Saudita" e "um erro enorme". Ele afirmou que o reino tomou "todas as medidas corretas" na investigação do caso.
Antes das conversas formais, Trump conduziu o príncipe pelos retratos presidenciais no Salão Oval. O tratamento caloroso reflete a estratégia de Trump de fortalecer laços com o líder saudita, considerado figura central para o futuro do Oriente Médio.
Durante o encontro, o príncipe anunciou investimentos de até 1 trilhão de dólares nos Estados Unidos. O presidente americano chamou Mohammed bin Salman de "fenomenal" e "amigo de longa data".
Khashoggi, cidadão saudita e residente da Virgínia, foi morto em outubro de 2018. O caso provocou crise nas relações bilaterais entre Washington e Riad, mas Trump intensificou a aproximação com o reino nos últimos anos.