Ucrânia: EUA reduzem apoio aos Países Bálticos
Medida representa tendência americana para pressionar a Europa a aumentar seu orçamento militar.
O governo americano implementa mudanças na política de exportação de equipamentos militares para a Europa. As alterações sinalizam uma nova postura estratégica que prioriza o fortalecimento das defesas domésticas americanas e um chamado à responsabilidade da Europa por sua própria defesa.
O Pentágono bloqueou recentemente negociações para venda de sistemas de defesa antiaérea para a Dinamarca. Durante semanas, negociadores americanos e franceses disputaram o contrato multibilionário. Contudo, conforme a decisão se aproximava, autoridades americanas perderam o interesse no acordo.
A mudança de postura ficou clara quando o vice-secretário adjunto de Defesa, Elbridge Colby, declarou em reunião com o Departamento de Estado que questiona o valor de certas vendas militares para o exterior. Colby manifestou oposição específica à venda de mísseis Patriots para a Dinamarca, argumentando que estes sistemas estão em falta e devem permanecer nos Estados Unidos para uso quando necessário.
As restrições não se limitam à Dinamarca. O Pentágono identificou diversos armamentos como escassos e bloqueou novas solicitações destes sistemas vindas da Europa. A duração das restrições permanece indefinida, assim como a lista completa de equipamentos afetados.
Em paralelo, diplomatas europeus receberam avisos sobre cortes na ajuda militar aos países bálticos. Em reunião no final de agosto, funcionários do Departamento de Defesa americano informaram sobre planos para reduzir certas formas de apoio à Letônia, Lituânia e Estônia, que são
nações que fazem fronteira com a Rússia.
O porta-voz do Pentágono, David Baker, comunicou ao grupo diplomático que a Europa deve reduzir sua dependência dos Estados Unidos. Sob a administração Trump, as Forças Armadas americanas direcionarão atenção para outras prioridades, incluindo a defesa nacional.
A decisão preocupa diplomatas europeus, que temem que as medidas possam encorajar ações mais agressivas do presidente russo Vladimir Putin. Os receios ganharam substância quando caças MiG-31 russos violaram o espaço aéreo estoniano próximo à capital Tallinn, permanecendo sobre o território por aproximadamente 12 minutos.
O incidente levou o governo estoniano a convocar o encarregado de negócios russo para protesto formal e solicitar consultas com aliados da OTAN sob o Artigo 4 do tratado da aliança.
Analistas sugerem que Putin pode interpretar a nova postura americana como oportunidade para intensificar pressões sobre a Ucrânia. Fontes indicam que o líder russo considera a escalada como ferramenta principal para forçar Kiev a aceitar suas condições territoriais.