Washington considera sancionar Comandante do Exército Brasileiro
Medida seria extremamente impactante para aliança militar Brasil-EUA.
A administração Trump avalia medidas inéditas contra o general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, comandante do Exército Brasileiro, numa decisão que pode romper décadas de cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos. A possível revogação do visto americano do oficial representa a mais séria ofensiva diplomática contra um militar brasileiro de alta patente desde a redemocratização.
A medida surge após Washington impor sanções a sete autoridades brasileiras na semana passada, incluindo membros da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. O alvo agora é o próprio chefe do Exército, numa escalada que preocupa militares de ambos os países.
Suspeitas de Alinhamento com o STF
Segundo fontes do Departamento de Estado americano, a avaliação contra o general Tomás baseia-se em suspeitas de alinhamento entre o comandante e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Autoridades americanas acreditam que o general oferece respaldo militar às decisões do magistrado, particularmente aquelas relacionadas a investigações contra figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O governo americano mapeou encontros entre Moraes e o comandante do Exército, interpretando esses contatos como evidência de que o general funciona como canal de comunicação entre a cúpula militar e o Judiciário. Essa percepção alimenta as suspeitas de Washington sobre interferência política nas Forças Armadas brasileiras.
Reação do Alto Comando Militar
Generais brasileiros reagiram à possibilidade de sanção contra seu comandante. O adido militar brasileiro em Washington, general Maurício Vieira Gama, e o representante brasileiro no Comando Sul dos EUA, general Flávio Moreira Matias, consultaram militares americanos sobre o caso.
Durante essas conversas, os generais brasileiros argumentaram que disputas pontuais entre governos não deveriam afetar a cooperação militar histórica entre os dois países. A percepção interna no Exército é que medidas punitivas contra militares de alta patente representam "um tiro no pé", fragilizando canais de diálogo estabelecidos há décadas.
O nome do general Tomás emergiu também em investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. Mensagens atribuídas ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, mencionaram o comandante em conversas sobre críticas de Moraes ao ex-presidente. Embora não existam provas conclusivas.
A possível medida contra o comandante do Exército integra um pacote mais amplo de sanções americanas. Na segunda-feira passada, Washington puniu Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e a empresa LEX - Institutos de Estudos Jurídicos, além de revogar o visto do advogado-geral da União, Jorge Messias.
Entre os sancionados estão José Levi do Amaral, ex-procurador-geral da República; Benedito Gonçalves, ex-juiz eleitoral; Airton Vieira, assessor do STF; Marco Antonio Martin Vargas, ex-assessor eleitoral; e Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, auxiliar do ministro.
Impacto na Cooperação Bilateral
Uma eventual sanção ao comandante do Exército pode comprometer acordos de cooperação militar, programas de treinamento conjunto, transferência de tecnologia e negociações sobre equipamentos de defesa. As Forças Armadas brasileiras mantêm relacionamento próximo com os EUA há décadas, tendo o Brasil sido considerado um aliado prioritário extra-OTAN. Qualquer ruptura seria inédita no período democrático.
A respeito disso, o Palácio do Planalto evita comentários públicos para não ampliar a crise. Diplomatas brasileiros trabalham para manter canais de diálogo com Washington, enquanto há expectativa de pausa nas sanções após aceno de Trump a Lula na Assembleia Geral da ONU.
Raramente os Estados Unidos impõem medidas tão severas a oficiais de países aliados, qualquer medida poderia ser considerada alarmante.