Brasil e EUA se reúnem nesta quinta para negociar tarifas
Encontro será entre Marco Rubio e Mauro Vieira no dia 16/10.
O governo brasileiro inicia nesta quinta-feira (16/10) a rodada de conversas com os Estados Unidos para buscar soluções à crise tarifária iniciada por Donald Trump. O ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio se encontram em Washington para debater a sobretaxa de 50% aplicada a produtos brasileiros.
A confirmação veio do presidente Lula durante cerimônia no Rio de Janeiro, quando celebrou o Dia dos Professores. O petista relembrou o telefonema recente com Trump e fez humor ao avaliar o clima da conversa. Segundo Lula, a troca não gerou a "química" mencionada por Trump na Assembleia da ONU, mas sim "uma indústria petroquímica".
O presidente contou que propôs informalidade no diálogo. "Eu estou fazendo 80 anos hoje, você vai fazer dia 14 de junho, significa que eu sou oito meses mais velho que você. Então vamos nos tratar sem liturgia", disse ter falado a Trump. O líder brasileiro enfatizou que a conversa focou questões econômicas, sem mencionar o caso de Jair Bolsonaro.
Vieira viajou aos Estados Unidos ainda na terça-feira, vindo direto de Roma, onde acompanhava Lula em compromissos oficiais. A decisão de ir antes à capital americana demonstra a urgência que o Itamaraty atribui às negociações. O chanceler passou a quarta-feira preparando o encontro com técnicos brasileiros em Washington.
As tarifas de Trump atingem produtos essenciais ao mercado americano, como café e carne. Fontes do governo brasileiro avaliam que a Casa Branca reconheceu o erro de relegar a relação com o Brasil. A alta dos preços desses itens nos supermercados americanos teria motivado a mudança de postura, com Trump chegando a comentar que o povo americano "sente falta do café brasileiro".
O encontro desta quinta-feira também prepara terreno para um encontro presencial entre Lula e Trump. A reunião dos presidentes pode ocorrer na Malásia, durante a cúpula da Asean no fim de outubro, mas ainda não tem data confirmada.
A estratégia brasileira passa por negociar com Rubio, que tem acesso direto a Trump. O Planalto acredita que o diálogo franco, "sem preconceito", permitirá reduzir tensões e abrir caminho para acordos concretos. A expectativa é que as conversas resultem em revisão das tarifas, isenções e restauração dos canais de cooperação econômica.
Se depender de Lula, a pauta pode incluir temas como a situação na Venezuela, a guerra na Ucrânia e o acordo entre Israel e Hamas. A única restrição imposta pelo presidente é deixar fora das discussões o processo contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
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