Russia invade espaço aéreo da Dinamarca e Europa faz "muro de drones"

Escrito por Vitor Gomes Calado

OTAN também realiza exercícios de ataque nuclear simulado na França.

Ministro da defesa da Dinamarca Troels Lund Poulsen.

A Europa intensifica suas defesas após uma série de violações aéreas que expõem a fragilidade das fronteiras do continente. Oito países agora participam de um projeto ambicioso para construir um sistema de defesa por drones ao longo da fronteira oriental do bloco.

A Dinamarca aderiu à iniciativa que já conta com Estônia, Letônia, Finlândia, Lituânia, Polônia, Romênia e Bulgária. O projeto ganhou urgência após incidentes recentes que fecharam aeroportos e mobilizaram forças militares em território da OTAN.

Na segunda-feira, drones não identificados paralisaram o aeroporto de Copenhague por quatro horas. As autoridades dinamarquesas evitaram abater as aeronaves devido aos riscos para aviões e depósitos de combustível nas proximidades. O primeiro-ministro Mette Frederiksen classificou o evento como "o ataque mais grave à infraestrutura crítica dinamarquesa até hoje" e não descartou envolvimento russo.

Dois dias depois, o aeroporto de Aalborg, no norte da Dinamarca, enfrentou situação similar. O incidente afetou voos comerciais e operações militares, já que a base serve às forças armadas do país.

As violações aéreas multiplicaram-se nas últimas semanas. Aeronaves russas invadiram espaços aéreos da Polônia, Romênia e Estônia. Na Noruega, o aeroporto de Oslo também registrou interrupções por atividade de drones.

A Comissão Europeia acelera os planos para o "muro de drones", conceito apresentado pela presidente Ursula von der Leyen em seu discurso sobre o estado da União. O projeto combina detecção e resposta rápida a incursões não autorizadas.

"Para quem ainda duvidava da necessidade de ter um muro de drones na União Europeia, temos outro exemplo de sua importância", declarou Thomas Regnier, porta-voz da Comissão para política de defesa.

O sistema funcionará com tecnologia de ponta desenvolvida pela Ucrânia, que aperfeiçoou suas capacidades durante o conflito. A primeira reunião entre representantes nacionais e o comissário europeu para defesa acontece na sexta-feira para mapear capacidades existentes e necessidades financeiras.

A União Europeia destina 150 bilhões de euros em empréstimos para impulsionar gastos defensivos. A Polônia recebeu a maior fatia: 44 bilhões de euros. Os recursos podem financiar produção doméstica de drones e sistemas de detecção.

Hungria e Eslováquia, que fazem fronteira com a Ucrânia, ficaram fora do projeto inicial. Bruxelas indica que as discussões podem expandir-se posteriormente.

As autoridades europeias identificam um padrão nas ações russas. "A Rússia testa as fronteiras europeias, sonda nossa determinação e mina nossa segurança", afirmou Anitta Hipper, porta-voz da Comissão para assuntos externos.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, pediu cautela sobre as investigações em Copenhague, mas alertou: "Não queremos ver continuação desse padrão perigoso da Rússia, intencional ou não".

A aliança reforça sua presença no leste europeu. Aviões britânicos, franceses, alemães e dinamarqueses patrulham os céus poloneses para fortalecer o flanco oriental.

Polônia e Suécia prometem abater qualquer objeto que viole seus espaços aéreos. A tensão cresce três anos e meio após a invasão russa da Ucrânia, enquanto a Europa repensa sua política de defesa diante da reeleição de Donald Trump e suas declarações sobre o papel americano na segurança europeia.

Além do mais, França e Alemanha estão engajando em exercícios de ataque nuclear simulado na França, constam com pelo menos 5 Airbus A330 Multirole Tanker Transport (MRTT) sobrevoando o país, juntamente com um E-3F "Sentry" de Alerta Aéreo Antecipado e Controle (AEW&C) e um número incontável de Dassault Rafale Bs com as Forças Aéreas Estratégicas da França (FAS).