União Europeia acelera planos para cortar energia russa até 2027
Ursula von der Leyen diz que Trump está "absolutamente correto" quanto a dependência de energia russa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen confirmou nesta terça-feira que o bloco pretende eliminar totalmente as compras de energia russa até 2027. O anúncio ocorreu durante encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Von der Leyen se alinhou às críticas de Trump sobre a dependência energética da Europa com a Rússia. "O presidente Trump está absolutamente correto", declarou ela ao ser questionada sobre os prazos para o fim das importações de petróleo russo, além de dizer também que a Comissão agora reservará tarifas para produtos russos.
Durante as conversas, os dois líderes trataram das "provocações do Kremlin", incluindo as recorrentes violações do espaço aéreo europeu por aeronaves russas. O tema ganhou destaque nas discussões sobre estratégias para pressionar Moscou no conflito com a Ucrânia. Trump chegou a dizer que OTAN deve derrubar aeronaves russas que violem espaço aéreo de seus países, além de acreditar que, agora, a Europa é capaz de auxiliar a Ucrânia na retomada dos territórios ocupados pela Rússia.
Trump havia criticado duramente a União Europeia durante seu discurso na Assembleia Geral, acusando o bloco de manter vivo o esforço de guerra russo através da compra de petróleo e gás natural para suprir sua energia, já que as usinas nucleares foram fechadas por políticas ambientais. "Eles devem cessar imediatamente todas as compras de energia da Rússia", afirmou o presidente americano, e isso envolve retomar projetos de produção de energia.
Embora a União Europeia desde alguns anos tenha reduzido drasticamente sua dependência energética russa após a invasão da Ucrânia em 2022, o bloco ainda importa cerca de 8% de seu gás natural total da Rússia no segundo trimestre de 2025, segundo dados do Eurostat.
A Rússia compete com o Catar como um dos maiores fornecedores de gás natural liquefeito para a União Europeia, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. As importações de petróleo bruto russo caíram de 27% antes da guerra para apenas 3% atualmente.
Von der Leyen reconheceu que a Europa "já reduziu significativamente os suprimentos de gás da Rússia, abandonou completamente o carvão russo e também diminuiu consideravelmente os suprimentos de petróleo". Contudo, admitiu que "alguns ainda chegam ao continente europeu".
O corte total das importações energéticas russas apresenta desafios econômicos pra Europa. O petróleo russo é vendido mais barato, as alternativas são mais caras.
A União Europeia já implementou proibições graduais, incluindo o banimento de produtos petrolíferos refinados a partir de petróleo bruto russo a partir do próximo ano. Países europeus contornam parcialmente essas restrições importando diesel da Índia e Turquia, feitos a partir de petróleo vindo da Rússia.
A meta de 2027 representa uma aceleração dos planos europeus para independência energética sob pressão americana. Mas, além disso, reflete o reconhecimento europeu de manter independência com relação a um setor estratégico para guerra e, assim, uma busca por assegurar sua soberania na nova ordem geopolítica que se desenha.
Veja também Nova Geopolítica: tensões, guerras e Brasil.