União Europeia acelera planos para cortar energia russa até 2027

Escrito por Vitor Gomes Calado

Ursula von der Leyen diz que Trump está "absolutamente correto" quanto a dependência de energia russa.

O presidente Trump aperta a mão da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 27 de julho de 2025, em seu resort de golfe em Turnberry, Escócia, após os dois líderes concordarem com os termos de um acordo comercial. (Brendan Smialowski).

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen confirmou nesta terça-feira que o bloco pretende eliminar totalmente as compras de energia russa até 2027. O anúncio ocorreu durante encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Von der Leyen se alinhou às críticas de Trump sobre a dependência energética da Europa com a Rússia. "O presidente Trump está absolutamente correto", declarou ela ao ser questionada sobre os prazos para o fim das importações de petróleo russo, além de dizer também que a Comissão agora reservará tarifas para produtos russos.

Durante as conversas, os dois líderes trataram das "provocações do Kremlin", incluindo as recorrentes violações do espaço aéreo europeu por aeronaves russas. O tema ganhou destaque nas discussões sobre estratégias para pressionar Moscou no conflito com a Ucrânia. Trump chegou a dizer que OTAN deve derrubar aeronaves russas que violem espaço aéreo de seus países, além de acreditar que, agora, a Europa é capaz de auxiliar a Ucrânia na retomada dos territórios ocupados pela Rússia.

Trump havia criticado duramente a União Europeia durante seu discurso na Assembleia Geral, acusando o bloco de manter vivo o esforço de guerra russo através da compra de petróleo e gás natural para suprir sua energia, já que as usinas nucleares foram fechadas por políticas ambientais. "Eles devem cessar imediatamente todas as compras de energia da Rússia", afirmou o presidente americano, e isso envolve retomar projetos de produção de energia.

Embora a União Europeia desde alguns anos tenha reduzido drasticamente sua dependência energética russa após a invasão da Ucrânia em 2022, o bloco ainda importa cerca de 8% de seu gás natural total da Rússia no segundo trimestre de 2025, segundo dados do Eurostat.

A Rússia compete com o Catar como um dos maiores fornecedores de gás natural liquefeito para a União Europeia, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. As importações de petróleo bruto russo caíram de 27% antes da guerra para apenas 3% atualmente.

Von der Leyen reconheceu que a Europa "já reduziu significativamente os suprimentos de gás da Rússia, abandonou completamente o carvão russo e também diminuiu consideravelmente os suprimentos de petróleo". Contudo, admitiu que "alguns ainda chegam ao continente europeu".

O corte total das importações energéticas russas apresenta desafios econômicos pra Europa. O petróleo russo é vendido mais barato, as alternativas são mais caras.

A União Europeia já implementou proibições graduais, incluindo o banimento de produtos petrolíferos refinados a partir de petróleo bruto russo a partir do próximo ano. Países europeus contornam parcialmente essas restrições importando diesel da Índia e Turquia, feitos a partir de petróleo vindo da Rússia.

A meta de 2027 representa uma aceleração dos planos europeus para independência energética sob pressão americana. Mas, além disso, reflete o reconhecimento europeu de manter independência com relação a um setor estratégico para guerra e, assim, uma busca por assegurar sua soberania na nova ordem geopolítica que se desenha.

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