Governo Trump inaugura nova geopolítica a partir da Venezuela

Escrito por Vitor Gomes Calado

EUA intensificam pressão militar para depor Maduro na Venezuela.

Secretário de Estado Marco Rubio, imagem ilustrativa.

A administração do presidente Donald Trump aumenta a pressão sobre Nicolás Maduro e planeja operações militares dentro da Venezuela. Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, lidera a ofensiva e defende que o líder venezuelano comanda uma estrutura criminosa dedicada ao narcotráfico.

As forças armadas americanas já atacaram embarcações no Caribe, mataram 17 pessoas e agora mobilizam navios de guerra, aviões de vigilância e um submarino de ataque na região. O Pentágono reuniu mais de 6.500 soldados para a operação.

Rubio classifica Maduro como "fugitivo da justiça americana" e afirma que ele representa "ameaça iminente" à segurança nacional. O secretário de Estado cita a acusação formal de 2020, quando o Departamento de Justiça indiciou o presidente venezuelano por tráfico de drogas. A estratégia conta com apoio de John Ratcliffe, diretor da CIA, e Stephen Miller, principal conselheiro de Trump.
O plano prevê operações militares contra suspeitos de narcotráfico em território venezuelano. A Casa Branca ainda não aprovou a medida, mas fontes do governo revelam ao New York Times que a remoção de Maduro seria tratada como "operação antidrogas".

A oposição venezuelana participa dos preparativos. Pedro Urruchurtu, assessor de María Corina Machado, líder da oposição, detalha que o plano para as primeiras 100 horas após a queda do regime transferiria o poder para Edmundo González, adversário de Maduro nas eleições de julho de 2024. González vive exilado na Espanha desde que a oposição denunciou fraude no pleito.
"Falamos de uma operação para desmantelar uma estrutura criminosa. Isso exige ações e ferramentas diversas. Deve-se usar a força, porque não há outra forma de derrotar um regime como este", explica Urruchurtu. O projeto da oposição prevê envolvimento de outros governos em "ações diplomáticas, financeiras, de inteligência e segurança".

Trump promoveu durante a campanha o combate ao tráfico de drogas e a deportação de imigrantes sem documentos. A abordagem agressiva na América Latina inclui ameaças de tomar o Canal do Panamá, bombardear laboratórios de drogas no México e interferência na política brasileira. O secretário de Defesa Pete Hegseth prepara nova estratégia de defesa nacional que prioriza "proteger a pátria e o Hemisfério Ocidental".

A intervenção divide opiniões. Diplomatas e empresários locais alertam que uma ação militar provocaria caos e violência. Grupos armados da região, militares, guerrilhas colombianas e gangues paramilitares, disputariam o controle de recursos como petróleo, ouro e minerais. "Você mata Maduro e transforma a Venezuela no Haiti", advertiu um empresário à jornalista Julie Turkewitz, do New York Times.

O New York Times também enfatizou também que o tratamento sendo dado à Venezuela é extremamente diferente àquele dado a países como Ucrânia, Iraque e outro. Esse foco, sugeriu o New York Times, refere-se a uma nova visão dos EUA: a visão de que o Continente Americano faz parte de "seu hemisfério", o hemisfério dos EUA.

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